A importância da adoção

A Psicanálise evidencia que o lugar da criança no mito familiar é único e singular. A adoção, por sua vez, perpassa a construção fantasmática de toda criança em algum momento de sua vida. Ao tecer algumas considerações sobre a adoção, sob o ponto de vista da Psicanálise, são necessárias algumas contribuições teóricas sobre o lugar da criança no desejo da mãe (ou de quem ocupe este lugar) e a função paterna como uma lei necessária para a constituição subjetiva do sujeito no campo da neurose. 

Para a Psicanálise, as funções paterna e materna não dizem respeito à demarcação biológica de homem e de mulher, mas ao lugar ocupado por aquele que adote um novo ser em seu desejo. 

Para Sigmund Freud, a função dos pais assume um lugar primordial, porque, para a criança, são a fonte de todos os conhecimentos, portanto, crucial para o seu desenvolvimento. Esse romance familiar diz respeito à família da criança e aos interrogantes sobre os quais ela se questiona, sobre a sua existência, origem e sexualidade. 

A ideia de filho adotivo é uma novela familiar que reafirma o sonho para todo sujeito neurótico de ter pais mais dignos, à altura de seus sonhos ideais. Nessa difícil questão para a criança, ela toma sua família através de um romance. “A novela familiar é a construção que a criança faz frente aos impasses que a própria estrutura lhe impõe” (Drummond, 2005, p. 111). Assim, é através da ficção que a criança cria uma versão imaginária do que a une aos seus pais.

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